Inferno no matadouro

inferno no matadouro - Food Forum

Na pandemia, sacrifício de milhões de bichos em fábricas dos EUA traz à tona mais uma vez práticas inaceitáveis da grande indústria animal. Até quando?

Com a paralisação de frigoríficos e abatedouros causada pelo novo coronavírus, milhões de animais de criação estão sendo abatidos com métodos cruéis nos Estados Unidos. Tiro, asfixia e afogamento estão entre os ‘procedimentos’ de abate adotados até o momento, o que causou revolta e comoção em organizações de proteção aos animais, de acordo com o jornal britânico The Guardian.

Segundo a estimativa, 10 milhões de galinhas foram abatidas por causa do fechamento de matadouros americanos. A maior parte desses animais morreu sufocada por uma espuma à base de água, semelhante à usada no combate a incêndios.  O mesmo destino devem ter os porcos. Empresários do ramo de suínos já acenam para o  abate de mais de 10 milhões de animais até setembro, também ocasionado pela baixa demanda e fechamento de frigoríficos. 

David McNew via Getty Images

O que sempre chama atenção é o apreço da indústria por expedientes macabros na resolução dos ‘problemas’.  As técnicas usadas no abate dos porcos variam entre asfixia por gases, tiro e overdose por anestésicos. Em alguns casos, também pode ser usada a asfixia por CO2, segundo a Associação Americana de Medicina Veterinária (Avma)

O massacre ocorre mesmo com o aumento da demanda por comida no país que, de acordo com os bancos de alimentos americanos, já atingiu, como se poderia prever,  uma fome generalizada entre os mais pobres. Entretanto, a indústria de suprimentos de carne dos EUA foi duramente impactada após o fechamento de matadouros devido às taxas de infecção da Covid-19 entre os funcionários. 

Até a primeira quinzena de junho, cerca de 30 a 40 fábricas foram fechadas. Como reflexo,  a capacidade de abate de bovinos e suínos foi reduzida em 25% e 40%, respectivamente, segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação e Comércio (UFCW). 

O fechamento dos abatedouros incapacitou o consumo desses animais e resultou no abate generalizado. A grande questão em jogo é até que ponto os fins justificam os meios. Para muito além dos Estados Unidos,  até quando a grande indústria no mundo todo continuará se valendo de procedimentos medievais e inaceitavelmente violentos com os animais de abate? Talvez o engajamento aliado à pressão social – educação e conscientização são fundamentais – seja uma das maneiras mais efetivas para mudar velhos paradigmas e práticas de uma indústria, em grande parte, criminosa.

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