Fome zero, uma realidade cada vez mais distante até 2030

Fome Zero - Agenda 2030 - Food Forum

“Estou com fome.” Esta é uma fala repetida inúmeras vezes ao longo do dia, todos os dias, por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Para algumas delas, essa afirmação reflete meramente uma sensação temporária que pode ser resolvida em minutos, seja em uma cozinha abarrotada de comida, com uma ida ao restaurante ou num simples pedido de delivery. Infelizmente, para tantos outros, não ter o que comer é uma condição permanente.

Por várias décadas, observamos progressos na erradicação da fome e da insegurança alimentar no planeta. A realidade não é mais essa. O mundo hoje parece girar na direção oposta, com o número de vulneráveis alimentares crescendo a níveis sem precedentes na história recente. Vamos aos números:

  1. 690 milhões de pessoas no mundo sofrem de insegurança alimentar crônica, ou seja, de condição prolongada de não acesso a alimentos em quantidade suficiente. Se a tendência atual se confirmar, este contingente pode ultrapassar 840 milhões em 2030.

  2. O número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda – condição de fome extrema – provavelmente dobrará de 135 milhões para 265 milhões até o final de 2020, em grande parte impulsionado pela pandemia do coranavírus.

  3. O número global de casos de desnutrição – ou porcentagem geral de pessoas que passam fome – mudou pouco, mas os números absolutos vêm aumentando gradativamente desde 2014. Isso significa que nos últimos seis anos a fome cresceu (8,9%) junto com a população global.

  4. A Ásia abriga o maior número de pessoas subnutridas, 381 milhões. A África aparece em segundo lugar, com 250 milhões, mas sua população subnutrida está crescendo em ritmo mais acelerado. A América Latina e o Caribe ocupam o desolador terceiro lugar, com 48 milhões de famintos.

  5. Mais de duas bilhões de pessoas, sobretudo em países de baixa e média rendas, não têm acesso regular a alimentos seguros, nutritivos e suficientes. O acesso irregular também é um desafio para os países de alta renda, incluindo 8% da população da América do Norte e da Europa.

  6. Uma em cada nove pessoas no planeta não recebe alimentos suficientes para ser saudável ​​e levar uma vida ativa.

  7. Existe uma ligação crítica entre a disponibilidade de alimentos e a qualidade da dieta, com um impacto direto sobre a desnutrição. Em essência, a qualidade da dieta piora com o aumento da insegurança alimentar.

  8. Entretanto, há comida disponível no mundo mais do que suficiente para alimentar toda a população do planeta.

Os especialistas afirmam que há vários fatores para a crescente prevalência da subnutrição. Entre os principais estão:

  • Pobreza
  • Economia e insegurança no trabalho.
  • Dependência de importação de commodities / interrupção do fornecimento de alimentos.
  • Qualidade nutricional.
  • Perda e desperdício de comida.
  • Guerras e conflitos.
  • Mudanças climáticas e desastres ambientais.
  • Migração forçada.
  • Desigualdade de gênero.

Fome Zero em 2030? 

As Nações Unidas definiram um plano de ação denominado Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das pessoas e do planeta. Um trecho afirma: “Estamos determinados a dar os passos ousados ​​e transformadores que são urgentemente necessários para mudar o mundo e para um caminho sustentável e resiliente”. A meta 2 da Agenda aborda pontos cruciais – e absolutamente desafiadores –  como promover a agricultura sustentável, melhorar a nutrição e alcançar a segurança alimentar para, então, alcançar a erradicação da fome até 2030. 


Fontes
> Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
> ‘O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo’. 13 de julho de 2020.
> Nações Unidas. ‘Meta 2: Fome Zero’. 
> Fórum Econômico Mundial. “A fome global caiu por décadas, mas está aumentando novamente”.  23 de julho de 2020.

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