Brasil exporta recorde de carne bovina em 2020

Desempenho foi alavancado pela China. Após três anos, os EUA voltaram a comprar carne brasileira. 

As exportações de carne bovina do Brasil registraram um recorde de 2,016 milhões de toneladas em 2020, alta de 8% em relação ao ano anterior, impulsionada pelos vultosos embarques à China, disse na sexta-feira a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), acrescentando que espera que o ritmo das vendas permaneça positivo em 2021, com possível avanço de 5% em volume. Segundo a entidade, com dados compilados junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as receitas com os embarques do produto (in natura e processado) tiveram em 2020 aumento de 11% na comparação anual, atingindo 8,4 bilhões de dólares.

“Num ano de recorde, a China, através de suas importações pelo continente e pela cidade estado de Hong Kong, foi a grande responsável por este crescimento”, disse a Abrafrigo em comunicado, destacando que o país asiático foi responsável por 58,6% do volume exportado pelo Brasil e por 60,7% da receita obtida pelo país com os embarques. No total de 2020, a China importou sozinha 1,18 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, avaliadas em U$5,1 bilhões, apontou a associação.

Mas esta conjuntura promissora não deve ser creditada apenas aos chineses. Em meio a uma série de paralisações de frigoríficos nos EUA causadas pela pandemia do novo coronavírus, os norte-americanos voltaram a comprar a carne brasileira. O país reabriu o mercado para o Brasil em fevereiro do ano passado, após suspender as compras em 2017 por questões de segurança

“Nossa diversificação geográfica tem sido uma proteção natural contra barreiras comerciais e questões sanitárias”, disse Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS, em um webinar patrocinado pela Genial Investimentos. “Agora, essa flexibilidade funcionou como uma alternativa e  garantia de fornecimento na atual crise.”

A Minerva SA, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, também foi uma das beneficiadas para atender às necessidades dos Estados Unidos a partir de oito fábricas no Brasil, Argentina e Uruguai, segundo o diretor financeiro Edison Ticle. A Marfrig Global Foods SA, outra gigante brasileira da carne, comunicou que a demanda dos EUA por carne bovina sul-americana se intensificou exponencialmente ao longo do ano passado.  A Marfrig também pode enviar carne para os EUA a partir dos três países da América do Sul nos quais atua.

Com a retomada, o Brasil pode exportar para os ianques cerca de 60 mil toneladas por ano em uma cota de importação livre de tarifas comuns a outras nações. Os embarques que excederem  este limite devem pagar uma tarifa de 26%. Argentina e Uruguai têm sua própria cota no mercado de carne bovina dos EUA.

As exportações recordes em 2020 refletem a firme demanda por commodities do Brasil, puxada pela China, mesmo diante dos impactos da pandemia de Covid-19. Números divulgados na semana passada pelo Ministério da Economia mostraram que o país registrou máximas de volumes embarcados de itens como petróleo, açúcar, carnes e café no ano. Os resultados também acompanharam a forte desvalorização do real frente ao dólar ao longo de 2020, o que tornou as commodities brasileiras mais competitivas nos mercados internacionais.

Para 2021, a Abrafrigo disse esperar um acréscimo de 5% nos embarques de carne bovina do Brasil, com impulso de uma melhora na situação econômica mundial em função da vacina contra a Covid-19 e a retomada do consumo de alimentação fora de casa:

A Abrafrigo espera a manutenção do ritmo comprador da China e alguma elevação nas importações por parte dos países da União Europeia, países árabes e de novos mercados

afirmou a entidade.

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